Seios

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Prateleiras distintas

Entre as mãos sujas de barro

Olhos salvos a tinta

Vestido feito de piçarro

 

Retrato forte de mãe

Pendurado na parede

Onde rima não cabe

Desfaz a sede em mil canecas

Enquanto faz florir a boneca de milho épica

Começo essa prosa

Sem rosa vaidosa

Ou pente nos cabelos

Falo aqui de tantas mães

E delas zelo os zelos

 

Erros errantes naturais

Poesia de antes e de odes vitais

Rachando os pés no solo quente

Enquanto o buxo enche de gente

 

Aqui não há poema bonitinho

Há guerra embalada à vácuo

Embora simples é forte o traço

Escreve o destino até sem luas

Enfrenta seu algoz e embora nua

Faz também dele voz

 

Mãe é mulher na parte avessa

Sente frio, fome,dor, solidão, sofre linguagens até que o filho cresça

Por si própria é fenômeno desvendado em olhos rasos de chuva

E derrete feito lama nas margens

Do seu próximo rio, alimentando

No seu seios o fio d’água.

– Iatamyra Rocha

 

 

 

 

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